Tal como todas as outras cachopas da minha geração, o normal seria ter imaginado e sonhado que aos trinta estaria casada e provavelmente com filhos…Realmente, elas estão e eu não. Será que foi por nunca ter sonhado com isso? Será que nunca me imaginei a partilhar a minha desorganização, o meu caos interior com alguém? Ou seria por nunca ter imaginado alguém com quem partilhar esta personalidade tímida, orgulhosa, e de um gigante de pés de barro? E porque é que será que agora, com trinta anos só penso nisso? Muitas vezes penso que preciso construir a minha vida… fiquei eternamente à espera que alguém fizesse isso por mim, acomodei-me ao que toda a gente queria que eu fosse, que eu fizesse, que eu estivesse e agora não me consigo libertar destes monstros que me puxam para baixo da cama, o meu esconderijo preferido… tenho medo de enfrentar, não consigo imaginar: o futuro! Mas quero-o mais que tudo, anseio por ele todas as manhãs que acordo na Maia e sinto o vazio imenso que me percorre. Cada vez é mais difícil não chorar, cada vez é mais difícil acordar…
Muitas vezes ocorre-me que quando este “obstáculo” for vencido, virá finalmente o FUTURO, aquele pelo qual eu tanto espero. Mas o futuro é agora, é o próximo minuto, é o amanhã, e eu aqui, num eterno presente…
Finalmente acordei.
Finalmente dei o passo em frente. Não quero acreditar que foi tarde. Quero sim sonhar, sonhar com o meu M&P, a cores, a sorrir, a viver. Mas sãos estes momentos que nos empurram para a frente, o não querer estagnar, e agora aqui estou eu, em contagem decrescente…
posted by martowsky at 18:03