
Vésperas de Fim de Semana prolongado
sozinha com o meu pê
despedida dos papis que vão viajar até ao equador, Sortudos!,
festa de anos da sister carregadinha de marisco, tal e qual nos gostamos.
A ansiedade não para de crescer.


Não podia ter sido pior. Não sei se sonhar é o termo indicado, pesadelo também não é o mais apropriado pois parecia mais uma tragédia cómica, qualquer coisa do tipo Autos de Gil Vicente, ainda alguém se lembra deles? Pois qualquer coisa assim do tipo. Não me lembro da sequência correcta dos acontecimentos, apenas de fragmentos, no entanto tenho a certeza que nunca vi o meu noivo, embora a sua presença fosse certa: Lembro-me que não estava maquilhada e a meio da missa lembrei-me desse pormenor, então pedi licença e disse volto já. Desatei a correr para casa, por sinal bem perto, mas surgiram uns cães bastante agressivos que adorariam atirar-se a mim pois o que eu devia parecer era uma bola de algodão doce. Conclusão, fugi outra vez para a igreja, mas entretanto começou a chover…
O meu bouquet (ou espécie) era feito de umas flores secas e velhas, douradas, que a minha mãe tinha lá por casa, em que o punho tinha algodão para não me magoar, uma vez que as hastes das flores tinham uns picos que me magoavam.
Outra situação caricata desta noite: estava sentada numa sala ao lado da igreja à espera que me chamassem para entrar na igreja, quando reparei numas tortas que ali estavam. Estavam embaladas e tinham vários nomes e resolvi abrir uma. Quando cortei uma fatia, deu-se início a uma panóplia de fogo de artifício, música, cores e luzes. Pensei que me deviam estar a chamar para o momento único na vida de uma mulher e que eu tanto aguardara; Quando cheguei à porta o meu pai estava já a meio da igreja, os convidados todos numa algazarra, ninguém conseguia perceber o que tinha acontecido e acabei por entrar sozinha assim. Assim que o ambiente acalmou, começou uma daquelas músicas de igreja sem jeito, muito menos para a entrada de uma noiva. Apeteceu-me chorar, mas no fundo pensei, que se lixe, este é o dia mais feliz da minha vida!
Tal como todas as outras cachopas da minha geração, o normal seria ter imaginado e sonhado que aos trinta estaria casada e provavelmente com filhos…Realmente, elas estão e eu não. Será que foi por nunca ter sonhado com isso? Será que nunca me imaginei a partilhar a minha desorganização, o meu caos interior com alguém? Ou seria por nunca ter imaginado alguém com quem partilhar esta personalidade tímida, orgulhosa, e de um gigante de pés de barro? E porque é que será que agora, com trinta anos só penso nisso? Muitas vezes penso que preciso construir a minha vida… fiquei eternamente à espera que alguém fizesse isso por mim, acomodei-me ao que toda a gente queria que eu fosse, que eu fizesse, que eu estivesse e agora não me consigo libertar destes monstros que me puxam para baixo da cama, o meu esconderijo preferido… tenho medo de enfrentar, não consigo imaginar: o futuro! Mas quero-o mais que tudo, anseio por ele todas as manhãs que acordo na Maia e sinto o vazio imenso que me percorre. Cada vez é mais difícil não chorar, cada vez é mais difícil acordar…
Muitas vezes ocorre-me que quando este “obstáculo” for vencido, virá finalmente o FUTURO, aquele pelo qual eu tanto espero. Mas o futuro é agora, é o próximo minuto, é o amanhã, e eu aqui, num eterno presente…
Finalmente acordei.
Finalmente dei o passo em frente. Não quero acreditar que foi tarde. Quero sim sonhar, sonhar com o meu M&P, a cores, a sorrir, a viver. Mas sãos estes momentos que nos empurram para a frente, o não querer estagnar, e agora aqui estou eu, em contagem decrescente…