Não podia ter sido pior. Não sei se sonhar é o termo indicado, pesadelo também não é o mais apropriado pois parecia mais uma tragédia cómica, qualquer coisa do tipo Autos de Gil Vicente, ainda alguém se lembra deles? Pois qualquer coisa assim do tipo. Não me lembro da sequência correcta dos acontecimentos, apenas de fragmentos, no entanto tenho a certeza que nunca vi o meu noivo, embora a sua presença fosse certa: Lembro-me que não estava maquilhada e a meio da missa lembrei-me desse pormenor, então pedi licença e disse volto já. Desatei a correr para casa, por sinal bem perto, mas surgiram uns cães bastante agressivos que adorariam atirar-se a mim pois o que eu devia parecer era uma bola de algodão doce. Conclusão, fugi outra vez para a igreja, mas entretanto começou a chover…
O meu bouquet (ou espécie) era feito de umas flores secas e velhas, douradas, que a minha mãe tinha lá por casa, em que o punho tinha algodão para não me magoar, uma vez que as hastes das flores tinham uns picos que me magoavam.
Outra situação caricata desta noite: estava sentada numa sala ao lado da igreja à espera que me chamassem para entrar na igreja, quando reparei numas tortas que ali estavam. Estavam embaladas e tinham vários nomes e resolvi abrir uma. Quando cortei uma fatia, deu-se início a uma panóplia de fogo de artifício, música, cores e luzes. Pensei que me deviam estar a chamar para o momento único na vida de uma mulher e que eu tanto aguardara; Quando cheguei à porta o meu pai estava já a meio da igreja, os convidados todos numa algazarra, ninguém conseguia perceber o que tinha acontecido e acabei por entrar sozinha assim. Assim que o ambiente acalmou, começou uma daquelas músicas de igreja sem jeito, muito menos para a entrada de uma noiva. Apeteceu-me chorar, mas no fundo pensei, que se lixe, este é o dia mais feliz da minha vida!
posted by martowsky at 12:34