Faz hoje um ano que pisei S. Tomé pela 5ª vez. Mas esta foi uma vez diferente. O Pê foi comigo pela primeira vez. Esta vai ser uma história longa, pois S. Tomé faz parte de mim e é impossível dissociar o que sou hoje deste país. Era uma vez…

Amor, odor, calor, suor, misto de emoções assim que chego a S. Tomé. Vou começar por falar da primeira vez que estive lá. Primeiro importa dar a conhecer os motivos que me levaram à ilha do paraíso. A minha mãe nasceu em S. Tomé tal como a minha irmã. O pai da minha mãe era português e tinha uma loja na cidade de S. Tomé e a minha avó é uma mulata do mais castiça que há (e teimosa, tb…) e que não deve ter tido muita dificuldade em conquistar o meu avô. O meu pai foi destacado para S. Tomé durante a Tropa, na altura da Guerra Colonial. E aqui estou para vos contar a estória. Os meus pais regressaram de S. Tomé em Julho de 75 (independência de S. Tomé) comigo na barriga e com a minha irmã pela mão. Como devem calcular, S. Tomé cresceu comigo no meu imaginário, acompanhou-me na minha infância como uma terra longínqua e repleta de coisas boas (segundo o que a família inteira contava). Eu realmente não achava lá muito bom uma vez que sempre que havia oportunidade de comer qualquer coisa típica de S. Tomé era calulu de galinha ou banana com peixe. Claro está que para qualquer criança, este petisco não é dos mais apetecíveis. As imagens e noticias de S. Tomé na altura da minha infância eram bastante escassas, e além de imensas fotografias das festas e amigos dos meus pais (a preto e branco) pouco ou nada se sabia da ilha no meio do mundo e que se tinha fechado sobre ela própria após a sua independência. Volta e meia vinham uns amigos que ainda lá viviam e era uma festa lá em casa. Ficavam horas a falar das sua juventude, dos seus momentos partilhados, a partilharem os dos outros, mais tristes quando algum deles já não se encontrava por cá, a relatarem vezes e vezes sem conta as maravilhas de uma ilhota perdida no meio do atlântico…
Até que um dia, já eu com 22 anos e a minha sister com 26, voámos até S. Tomé. Foi inesquecível…
posted by martowsky at 12:08